No próximo Dia Mundial de Luta contra a Aids, em 1º de dezembro, ativistas, membros do Grupo Estruturação e Centro Brasiliense de Direitos Humanos -para alertar sobre perda de seguimento e falhas graves na resposta à epidemia de HIV no DF
CENTRODH, realizarão um ato público às 9h, em frente à Secretaria de Saúde do Distrito Federal, para chamar atenção da gestão e da população sobre a gravidade dos novos dados divulgados sobre o HIV no DF.
O alerta surge a partir das informações apresentadas pelo Painel Integrado de Monitoramento do cuidado do HIV e da Aids, ferramenta oficial do Ministério da Saúde que acompanha, mensalmente, as etapas essenciais do cuidado contínuo: diagnóstico, início de tratamento, acompanhamento clínico e supressão viral. O painel integra bases de dados nacionais como Siclom, Siscel, Sinan e SIM, permitindo monitorar com precisão lacunas e gargalos no cuidado das pessoas que vivem com HIV e/ou aids.
Situação do Distrito Federal (2025): alerta vermelho
Diagnóstico tardio Os dados atualizados mostram que 26% das pessoas diagnosticadas com HIV no DF em 2025 apresentaram CD4 abaixo de 200 células/mm³, o que caracteriza doença avançada no momento do diagnóstico. Isso significa que quase 1 em cada 4 novos diagnósticos ocorre tardiamente, aumentando o risco de adoecimento grave e morte evitável.
Perda de seguimento O painel também revela que 14% das pessoas identificadas nos sistemas oficiais interromperam o tratamento ou deixaram de comparecer ao serviço. Essa perda de seguimento amplia o risco de agravamento da saúde dessas pessoas e aumenta a possibilidade de transmissão do HIV.
Esses indicadores reforçam falhas importantes na testagem oportuna, na vinculação das pessoas ao cuidado e na manutenção do acompanhamento clínico — etapas fundamentais para uma resposta eficaz ao HIV. O Ministério da Saúde disponibiliza aos serviços de saúde o SIMC — Sistema de Monitoramento Clínico do HIV, uma ferramenta que permite identificar:
pessoas que perderam seguimento após iniciar o tratamento;
pacientes com CD4 inferior a 200;
gestantes com doença avançada;
pessoas diagnosticadas que nunca iniciaram terapia antirretroviral.
A adoção sistemática do SIMC pelos serviços de saúde permitiria priorizar casos críticos, reorganizar fluxos e reduzir perdas evitáveis ao longo do cuidado. Diante do cenário preocupante, ativistas organizados pelo Grupo Estruturação convocam a sociedade, profissionais de saúde e gestores para um ato público no Dia Mundial de Luta contra a Aids, às 9h, em frente à Secretaria de Saúde do Distrito Federal. O ato tem como objetivo cobrar respostas efetivas, sensibilizar autoridades e exigir uma reorganização urgente da rede de cuidado em HIV no DF.
Michel Platini, presidente do Grupo Estruturação e Centro DH
“Os números mostram claramente que estamos falhando em garantir diagnóstico precoce, continuidade do cuidado e início imediato de tratamento no Distrito Federal. Quase um quarto das pessoas já chega aos serviços com doença avançada, e muitas interrompem o acompanhamento. Não podemos aceitar que vidas sejam perdidas por falta de organização da rede de saúde. O Painel e o SIMC já mostram onde estão os problemas — agora falta ação. Nosso ato é um chamado urgente por responsabilidade e compromisso.”
A sociedade civil não ficará calada Ativistas afirmam que não aceitarão que a epidemia seja tratada com descaso, e reforçam que a mobilização permanente, aliada ao uso dos dados do Painel, é essencial para garantir uma resposta forte, digna e baseada em evidências.
Michel Platini (61) 98141-3113



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