Deputado Federal Fernando
Marangoni / Arquivo Pessoal
De um lado, operadoras lucram 24,5 bilhões de reais por ano, enquanto conveniados com atendimentos negados chegam a pagar com a vida. “Até quando o Brasil vai tolerar um sistema que coloca o lucro acima da vida? Vamos até as últimas consequências para enfrentar esse modelo e acabar com os abusos contra milhões de brasileiros”.
Um sistema supostamente
criminoso deixa um em cada quatro brasileiros sem atendimento mesmo pagando
plano de saúde, já são milhares de pessoas.
Em 2025, o setor de saúde
suplementar registrou lucro líquido de R$ 24,5 bilhões, o maior da série
histórica divulgada pela ANS – Agência Nacional de Saúde -, e 120% maior que o
registrado em 2024 (R$ 11,1 bilhões). Sob a mesma base de comparação, o volume
de reclamações contra planos de saúde relacionados a "procedimentos e
cobertura contratual" na ANS passou de 35,7 mil para 42,4 mil, um aumento
de 18,5%.
Os planos de saúde, teriam
acesso prévio aos laudos de junta médica, o que levou a ANS a aponta
irregularidades. Números tão expressivos
e a gravidades dos fatos, fizeram com que o Deputado Federal Fernando Marangoni
(PODEMOS-SP) fosse para a Tribuna da Câmara dos Deputados denunciar os fatos. O
parlamentar se pronunciou formalmente sobre o que chama de “indústria da
negativa” e exigiu respostas em nome de cada vítima desse sistema.
“Até quando o Brasil vai
tolerar um sistema que coloca o lucro acima da vida? Vamos até as últimas
consequências para enfrentar esse modelo e acabar com os abusos contra milhões
de brasileiros”.
Para o Deputado, se abre uma discussão que movimenta bilhões de reais todos os anos no Brasil.
“Quanto custa uma
vida?”
R$ 24,5 bilhões. Segundo o
Deputado Federal Marangoni, esse foi o lucro registrado pelo setor de saúde
suplementar no último ano. “Essa indústria da negativa está cada vez mais
demonstrada por denúncias que já são amplamente conhecidas. Precisamos investigar
a fundo e responsabilizar quem eventualmente esteja lucrando às custas da saúde
e da vida dos brasileiros.”
A Judicialização superior a
300 mil processos por ano relacionados à saúde, segundo dados frequentemente
citados pelo CNJ – Conselho Nacional de Justiça em estudos setoriais. O Lucro
líquido do setor saltando para patamares históricos enquanto as reclamações
crescem de forma paralela.
Quando se projeta o custo
médio de uma ação judicial, perícias, honorários, internações agravadas pelo
atraso terapêutico e utilização do SUS para absorver casos negados, o impacto
agregado provavelmente alcança bilhões de reais por ano.
Em um país acostumado a ver
cifras bilionárias associadas a escândalos, investigações e grandes casos de
corrupção, o Deputado utiliza o número para levantar outro questionamento: qual
é o custo humano por trás desses resultados?
A principal denúncia envolve a atuação de estruturas de auditoria médica responsáveis por analisar pedidos de tratamentos, exames e procedimentos feitos por médicos para pacientes dos planos de saúde.
O Deputado Federal Fernando
Marangoni cita a AdviceHealth como a “ponta do iceberg” de um sistema que,
segundo ele, precisa ser investigado pelas autoridades. O deputado também
relaciona a empresa ao Grupo Orizon e a operadoras como Bradesco Saúde e Amil,
apontando o que define como um “suposto conflito de interesses perfeito” entre
quem recebe as mensalidades dos pacientes e quem participa da análise dos
tratamentos solicitados.
De acordo com os relatos,
parte das operadoras, clientes da empresa recebem para validação prévia e
possível ajuste cópias dos laudos com o resultado da análise do médico
desempatador, antes de o documento receber a sua assinatura e ser enviado aos
pacientes.
A prática é condenada pela
ANS, órgão que fiscaliza os planos de saúde no Brasil. A agência reguladora
afirma não haver previsão normativa para esse tipo de validação, uma vez que
ela compromete diretamente a independência e autonomia do médico responsável
pelo desempate.
Por intermédio do
Parlamentar e por meio da Andess (Associação Nacional em Defesa dos Direitos
dos Pacientes da Saúde Suplementar), presidida pelo médico Dr. José Ramalho
Neto, neurocirurgião, os casos foram apresentados à justiça.
A atuação de Marangoni na
pauta também o levou a se tornar um dos requerentes da CPI dos Planos de Saúde,
iniciativa que busca aprofundar investigações relacionadas a negativas de
cobertura, auditorias médicas e possíveis conflitos de interesse dentro do
setor.
Mas quem é o deputado que decidiu comprar essa briga?
Advogado, professor
universitário e doutor em Ciências Sociais, Fernando Marangoni está em seu
primeiro mandato na Câmara dos Deputados. Antes de chegar ao Congresso, atuou
na área de habitação e ganhou projeção nacional ao assumir a relatoria do novo
Minha Casa Minha Vida, uma das mais importantes pautas sociais discutidas pelo
Legislativo nos últimos anos.
Posteriormente, também
passou a conduzir a relatoria do Estatuto da Pessoa com Transtorno do Espectro
Autista (TEA), além de ocupar posições de destaque em espaços como a Frente
Parlamentar do Mercosul e a Frente Parlamentar da Ética na Saúde Suplementar.
Foi justamente a partir
desta última que o parlamentar passou a receber denúncias, documentos e relatos
relacionados à atuação dos planos de saúde.



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